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| Seminario Internacional de Ciudades Históricas Iberoamericanas (Toledo, 2001) |
A BAHIA RESGATA A MEMÓRIA DA PRIMEIRA CAPITAL DO BRASILAdriana
Castro
(Brasil) O
Programa de Recuperação do Centro Histórico de Salvador, atuando no
maior conjunto arquitetônico colonial da América Latina, tombado pela
UNESCO em 1985, é um exemplo do quanto pode ser saudável a união da
vontade política à tecnologia. Localizado na Bahia, estado situado no
Nordeste brasileiro, o Centro Histórico com seus quase três mil imóveis
dos séculos XVII, XVIII e XIX, é um documento vivo da história do
Brasil colonial. Primeira
capital brasileira, Salvador foi fundada em 1549 para sediar o governo
geral da então colônia portuguesa. Durante mais de três séculos, a área
hoje conhecida como Centro Histórico serviu como o principal local de
residência da aristocracia, dos altos funcionários, e de pessoas
abastadas. Esta situação permaneceu inalterada até o final do século
XIX, quando estes moradores tradicionais começaram a se mudar em busca de
áreas que simbolizavam uma concepção mais moderna de urbanismo, na época. Com
esse processo de substituição da população original por camadas de
status social mais baixo, começou a decadência da área, pois os novos
habitantes não tinham como fazer a manutenção dos imóveis. Nos anos
30, o local passou a ser utilizado pela atividade prostitucional, o que
veio agravar ainda mais os problemas. Nos anos 60, o sítio histórico
atingiu seu ponto máximo de degradação. Na ocasião, ocorriam vários
incêndios por mês causados pelo estado dos prédios, pelas instalações
elétricas desgastadas, e pelo uso inadequado de velas, fogões etc. Em
1968, o então prefeito da capital baiana, Antonio Carlos Magalhães começou
a desenvolver esforços que resultassem na recuperação do Largo do
Pelourinho, concluída quando ele já ocupava o cargo de governador do
Estado. Entretanto, ainda restava muito o que fazer, e em 1991 após ser
eleito governador do Estado pela terceira vez, Antonio Carlos Magalhães
determinou que o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural, o IPAC,
autarquia que na época era vinculada à Secretaria da Educação e
Cultura, e hoje ligada à Secretaria da Cultura e Turismo do Estado,
realizasse estudos objetivando a restauração total da área. No
ano seguinte começou a obra considerada por especialistas como um dos
mais sérios e abrangentes trabalhos de reabilitação urbana, realizados
nesta década em todo mundo, e que tem servido como referencial para vários
estados brasileiros e outros países. Até agora foram recuperados cerca
de 700 dos seus três mil imóveis, hoje ocupados por diversas gamas de
atividade como museus, bares, restaurantes, lojas de artesanato, de roupas,
e antiquários, e de pedras preciosas. Em apenas poucos anos o governo da
Bahia conseguiu recuperar 17 quarteirões, implantando toda rede de infra-estrutura
de água, esgotamento sanitário, energia elétrica e telefone, bem como
uma rede de hidrantes para combate a incêndio. Para
realização do trabalho foi realizado um Termo de Referência –
coordenado por mim e pelo sociólogo Luciano Diniz Borges – que orientou
toda a operacionalização do programa, tendo como principais objetivos:
-Dotar
o Centro Histórico de Salvador, através da ativação do ciclo econômico,
de condições efetivas para a manutenção dos bens e valores culturais
de forma contínua e eficaz;
-Promover a recuperação
e restauração física da área do Centro Histórico de Salvador
redefinindo sua função em relação à cidade e à região
metropolitana;
-Criar
condições de desenvolvimento do potencial produtivo e da organização
social da área. Principais
pontos da metodologia aplicada:
-Passar
a entender o quarteirão como unidade de intervenção, visando dota-lo de
infra-estrutura urbana em rede, buscando melhor aeração e iluminação
dos espaços e formando unidades de vizinhança nas suas áreas internas;
-Atuar
em três níveis distintos de apreensão da realidade mas, ao mesmo tempo,
interligados e interativos:
-Da organização física-territorial
– contempla toda a atuação dirigida à reabilitação urbana e
compreendendo desde a restauração dos imóveis até a implantação de
infra-estrutura em rede de água, esgotamento sanitário, telefone,
energia elétrica, além de rede especial contra incêndio;
-Do
desenvolvimento sócio-econômico
– visa o trabalho junto às populações usuárias do Centro Histórico,
com a transferência de parte destas, mediante acordo e pagamento de
indenização, ou relocação na área para quem optasse por esta;
-Da
ação jurídico-institucional
– compatibiliza os dois níveis citados anteriormente com a complexa
legislação vigente e, para se respeitar os limites da competência dos
diversos órgãos que atuam na área. No
início de 1992, logo após ser concluído, o Termo de Referência foi
apresentado ao Governador Antonio Carlos Magalhães, juntamente com os
projetos de restauração dos quarteirões 2M e 10M. dois dias depois, os
projetos eram aprovados, não apenas para dois quarteirões, mas para
quatro, num total de 89 imóveis, vindo estes a constituir a primeira
etapa. Foi determinado, ainda, que a Companhia de Desenvolvimento da Região
Metropolitana de Salvador – CONDER – participasse, junto com o IPAC,
da operacionalização iniciando-se o então o Secretário de Estão do
Planejamento, Ciência e Tecnologia, Waldeck Ornellas, para ser o
coordenador de alto nível do Programa de Restauração do Centro Histórico. Quando
começou a obra, muitos técnicos consideravam que o problema, de cunho
histórico, era insolúvel. Para enfrenta-lo, foi necessário criar uma
nova metodologia de trabalho, inédita no país, que privilegiava os
quarteirões, como unidade de intervenção, em vez de imóveis isolados,
como já foi dito, numa nova ótica de reabilitação urbana. No trabalho,
foram investidos, até agora, cerca de US$ 63 milhões, já tendo sido
recuperados, aproximadamente, 700 casarões e alguns monumentos especiais,
como a Catedral Basílica, o Mosteiro de São Bento, e o conjunto do
Convento, Igreja e Cruzeiro de São Francisco. Até o final da sétima
etapa prevista para o ano de 1999, o Centro Histórico terá, praticamente,
1/3 dos seus imóveis recuperados, o que representa a áreas arruinadas e
outros imóveis isolados. É
preciso que se diga que antes de se dar início às obras, foi necessário
uma negociação muito intensa com os proprietários dos imóveis incluídos
na área a ser recuperada, de modo a manter um percentual significativo
das propriedades no setor privado e, ao mesmo tempo, ressarcir o Estado,
pelo menos parcialmente, dos investimentos realizados. Para se atingir
esses objetivos, desenvolveram-se alguns tipos de negociação padrão:
-se o proprietário possuísse
dois imóveis, por exemplo, doava um ao Estado e recebia o outro
recuperado;
-quando só possuísse um
imóvel, o dono cedia uma posse em comodato por um período de 10 anos e,
ao fim deste prazo, o imóvel lhe seria devolvido;
-houve, ainda, caso de
desmembramento da propriedade;
-de compra;
-e quando houve impasse
jurídico, foram feitas algumas desapropriações. Este
trabalho de negociação foi desenvolvido buscando evitar a concentração
de propriedade no Estado, bem como reduzir custos e incluir um número
maior de casarões na recuperação. A relocação dos moradores foi, sem
dúvida, um dos maiores desafios do programa. Durante
a década de 30, quando a atividade prostitucional se instalou no
Pelourinho, este bairro passou a abrigar uma população constituída de
segmentos considerados “problema” na escala de valores sociais
dominantes. Isto fez com que surgisse uma série de estereótipos que
classificavam a área como “local de perigo” e “submundo”,
imputado diretamente aos habitantes da área, em decorrência, o estigma
de marginais. Este processo de estigmatização da população residente
contribuía para o seu empobrecimento crescente e o isolamento do bairro
da cidade como um todo. No início dos trabalhos, em 1991, a prostituição
virtualmente inexistia, mas o estigma persistia. Para desocupação dos imóveis
e realização das obras não havia como escamotear o problema. Em
primeiro lugar foram cadastrados todos os moradores, comerciantes, e
outros usuários. Em segundo, essas pessoas foram chamadas para a negociação
no Serviço Social do IPAC. A
cada um deles eram oferecidas as seguintes opções: 1)
indenização: receber uma quantia em dinheiro e se mudar; 2)
relocação
definitiva: permanecer em imóvel especialmente recuperado pagando aluguel
com contrato juridicamente válido; 3)
relocação provisória:
ficar algum tempo residindo no imóvel até mudar para outro especialmente
adaptado, com contrato de locação e aluguel abaixo do preço de mercado. Houve
uma opção maciça pelas indenizações, pois estas calculadas caso a
caso, levavam em consideração o tamanho da família, o tempo de moradia
no Centro Histórico, o espaço utilizado e a situação jurídica da
ocupação – se regularizada ou não. Na maioria dos casos, a indenização
resultava em valores bastante atrativos, pois a renda familiar média era
inferior a US$ 100 por mês, o que não lhes permitia poupar absolutamente
nada. Desta forma, 85% dos moradores indenizados puderam adquirir casas
populares em bairros proletários ou de periferia. Infra-estrutura
urbana
O
Centro Histórico, por haver sido edificado numa época em que os serviços
básicos dependiam exclusivamente do trabalho escravo, era carente destes
ao extremo, sobretudo no que tange ao fornecimento de água e esgotamento
sanitário. Embora alguns casarões possuíssem um ponto de água junto à
porta de entrada, não havia capacidade para suprir a demanda. A rede de
energia elétrica aérea tornava-se precária em razão das muitas ligações
irregulares. Nos anos 60, chegou haver mais de 250 incêndios na área. Não
havia tampouco esgotamento sanitário, o que comprometia a saúde comunitária.
O Programa de Recuperação do Centro Histórico realizou melhoria dos
serviços básicos através da implantação e complementação de infra-estrutura
urbana em rede de água, esgotamento sanitário, energia elétrica,
telefone, além de rede especial de combate a incêndios. A
água passou a ser fornecida com regularidade e, também, se promoveu a
implantação de instalações adequadas ao consumo. Ao entrar em operação
a rede de esgotamento sanitário trouxe uma sensível melhoria da área. A
rede de energia passou a ser subterrânea, permitindo a retirada de fios e
postes, de modo a facilitar a leitura do tecido urbano, sem interferência
de elementos de outras épocas, além de ter se tornado bem mais segura. A
rede telefônica permitiu a expansão deste serviço. Por requerer
fornecimento de água com uma pressão mais alta e constante, foi
realizada a instalação de uma rede especial para o combate a incêndios,
com hidrantes em diversos pontos para os eventuais casos de sinistros. A
partir deste trabalho de implantação de infra-estrutura, o Centro Histórico
passou a ser uma área em que a beleza da arquitetura histórica de origem
portuguesa transplantada para os trópicos se une ao conforto moderno, no
mesmo nível do que se encontra em outros locais da cidade. O
Programa d Recuperação
Entendendo
o Centro Histórico como uma área especial da cidade, por ali estar o
testemunho da história, tornou-se necessário, não apenas a preservação
e consolidação das velhas estruturas, mas também a implantação e
manutenção dos serviços básicos como limpeza, iluminação pública, a
acessibilidade, áreas de lazer, sanitários públicos e outros capazes de
propiciar conforto urbano, necessário, para a área poder ser usufruída
pelos habitantes da cidade e visitantes. O
acesso foi equacionado com investimentos relativamente altos, empregados
na construção de dois estacionamentos que juntos proporcionam 542 vagas
rotativas. O administrado pela Multi Park, com entrada pela rua Inácio
Acioli tem capacidade pata 80 veículos. O arrendado pela San Park, com
vagas para 450 vagas para 450 veículos e 12 ônibus, tem entrada pela
Baixa dos Sapateiros, e o governo está construindo agora mais um
estacionamento também com acesso pela Baixa dos Sapateiros, mais
especificamente pelo Pátio das Artes do Quarteirão Cultural. Com a
construção de mais esse estacionamento, o número de vagas no Centro
Histórico subirá para 792. Houve,
também, a preocupação de se dotar os imóveis recuperados de todo
conforto celular apropriado às necessidades da vida moderna. A título de
ilustração, convém ressaltar que antes das obras de recuperação, os
imóveis, quando possuíam sanitários e cozinhas, estes estavam situados
em acréscimos que foram, ao longo do tempo, sendo erguidos no terreno dos
quintais. Além de precárias, estas “puxadas de serviços”
comprometiam seriamente aeração e iluminação dos imóveis, tornando-os
abafados, desconfortáveis e escuros. O Programa de Recuperação realizou
a demolição destas construções espúrias, reconduzindo as fachadas
posteriores dos casarões à feição original e liberando terreno
utilizado por elas para ser integrado às chamadas “praças” dos
interiores dos quarteirões. Desde a conclusão das obras da primeira etapa, os imóveis recuperados foram sendo colocados, por meio de aluguel, à disposição da iniciativa privada, de acordo com mix preestabelecido. Assim, se insituiu uma relação entre as atividades econômicas compatíveis com o Centro Histórico e os espaços dos casarões de modo a serem utilizados pelas empresas que lá fossem se instalar, sem haver necessidade de modificá-los estruturalmente. Por serem construções tombadas, a utilização é que se deve adequar aos prédios e não ao contrário, como geralmente ocorre em locais não protegidos por tombamento. Hoje
em dia existem 250 estabelecimentos na área, entre os quais 57 bares, 38
restaurantes, 42 lojas de artesanato, 5 agências de viagens, 39 ateliês
de arte, 18 lojas de roupas, 10 joalherias, 10 lojas de bijuterias, 5
antiquários, várias lojas de decoração e 3 bancos. Sobre
recuperação de imóveis para moradias da 7ª etapa do Programa de
Recuperação, serão colocadas unidades habitacionais à disposição,
com financiamento através de uma ação da URBIS/CAIXA ECONÔMICA
FEDERAL/CONDER/IPAC. São
várias as instituições culturais em funcionamento no Centro Histórico,
algumas já antes da reforma. Essas instituições constituem, junto com
os documentos arquitetônicos e urbanísticos, um espaço privilegiado
para a preservação da memória. São muitas e variadas e, entre estas,
pode-se citar como mais significativas:
-Museu Abelardo Rodrigues,
com um acervo formado por mais de 800 peças de arte sacra de grande
valor;
-Casa
de Jorge Amado, que abriga uma coleção d documentos e livros do autor
baiano, incluindo muitas edições em línguas estrangeiras;
-Museu Eugênio Teixeira
Leal, que além de exposição permanente sobre a história da moeda,
promove exposições temporárias e ciclos de conferências de grande
interesse.
-Museu
Afro-brasileiro, voltado para a guarda de coleções de objetos artísticos
e religiosos africanos ou recriados na Bahia;
-Museu
de Arqueologia e Etnografia, cujo acervo é composto por peças da pré-história
da Bahia;
-Núcleo Sertão, guarda
uma coleção de livros, objetos e documentos relativos à Guerra de
Canudos, eventos históricos ocorridos no Sertão da Bahia em fins do século
passado; Existem
ainda outros museus como o da Cidade, o das Portas do Carmo e o do
Convento do Carmo, sendo que podemos também citar a existência de 16
arquivos de instituições religiosas e privadas, entre os quais o do
Museu da Catedral o mais importante, que está sendo implantado através
de convênio do IPAC com a Arquidiocese de São Salvador da Bahia, com
recurso captados pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, e proveniente
da Petrobrás. Descobertas
Vale
a pena frisar as descobertas feitas pelo IPAC durante o processo de
recuperação do Centro Histórico. No
mês de julho próximo durante as obras de recuperação do Forte de Santo
Antonio, uma construção do século XVIII, descobrimos no centro do pátio,
uma cisterna de 8 metros de diâmetro, coberta pelo calçamento. A
cisterna construída pelos portugueses, para armazenar água durante a
guerra contra os holandeses, tem capacidade para 400 mil litros de água,
o equivalente a cinco piscinas de tamanho médio. Outras descobertas de
interesse histórico e cultural foram realizadas desde 92 quando o governo
da Bahia iniciou a obra. Quando
realizamos a recuperação da Catedral Basílica de Salvador, o monumento
magnífico do século XVII, construída pelos Jesuítas para rivalizar em
beleza e magnificência com a igreja Del Gesu, em Roma, foi descoberta no
forro, debaixo de uma camada de tinta branca, uma pintura original
colorida e folheada a ouro com dizeres em latim. A inscrição atribuída
ao apóstolo Paulo em sua epístola aos Filipenses diz: “Ao nome de
Jesus todos os joelhos se dobram no Céu, na Terra e no inferno”. Supõe-se
que a inscrição foi coberta para apagar a presença jesuítica após a
inscrição de ordem do Brasil pelo Marquês de Pombal. A
obra na Catedral constou da reforma do seu trabalho de 2.500 metros
quadrados, bem como da estabilização e restauração de 1.500 metros
quadrados dos forros artísticos da nave e da Sacristia. Para isso, foram
utilizados mais de 400 metros quadrados de folhas de ouro, sendo que o
medalhão, de três toneladas, com o símbolo da Companhia de Jesus,
fixado no teto da nave, recebeu folhas novas de ouro 24 quilates. Para
evitar danos causados pela chuva nesses forros, foi colocado entre eles e
o telhado, um sobreforro de fibra de vidro, com aditivo anti-chama.
Durante o trabalho, foi restaurada também a imagem de São Salvador de
quatro metros e 35 centímetros de altura, e que se encontra no nicho mais
alto da igreja, a 25 metros do solo. Concluindo
o trabalho, foi instalado na igreja um sistema de iluminação a vapor metálico,
obedecendo a projetos especiais de lumino-técnica, utilizando-se luminárias
italianas idênticas às da Catedral de Notre Dame de Paris. Essas luminárias
possuem filtros de raios ultra-violeta para evitar que a luminosidade
prejudique o acervo. Descobertas
interessantes foram feitas também em 93, e posteriormente em 96, quando
operários que trabalhavam na primeira e na quinta etapa das obras do
Programa, encontraram remanescentes paredes de taipa de pilão em imóveis
da rua Alfredo de Brito e da Praça da Sé. Sistema construtivo milenar
encontrado nos sítios históricos do Oriente Médio, a taipa de pilão
consiste em sucessivas camadas de barro encerradas entre armações de
madeira, usadas como forma e batidas com mão de pilão, técnica só
utilizada na Bahia no século XVI. Tudo
isto faz do Programa de Recuperação do Centro Histórico do Salvador, um
trabalho contínuo e regular do Governo do Estado para fazer da Bahia, o
lugar onde a antevisão do futuro não ignora as lembranças do passado.
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